A felicidade de forma
constante não existe. Não há como estar feliz a todo o momento. Vivemos
momentos alegres e tristes, equilibrando nossas emoções e buscando um bem-estar.
Ela é atingida, conquistada e ofertada. Sedentos dela vivemos. E na sua busca
por vezes caímos na armadilha de pensar que ela deva pertencer à nossa vida em
todo o momento. Que ela viverá conosco eternamente. Por certo a buscamos, visto
que a tristeza, a angústia e os sentimentos melancólicos nos corroem e por
vezes deturpam nossas ações. Alimentamos-nos pelos momentos mais felizes de
nossa vida, e buscamos uma constância deles. Um resgate daquilo que foi bom,
tentando construir uma réplica do passado. Busca em vão, visto que o passado é
imutável e impossível de ser repetido. Ele apenas pode ser ressignificado. E a
ressignificação é um dos melhores trunfos, tanto em relação aos momentos bons
quanto aos ruins. Caso contrário, corremos o risco de viver num ilusório mundo
nostálgico do que já passou e do que poderia ter sido.
Por outro lado, também
buscamos conflitos, criamos armadilhas, construímos obstáculos. Em suma, buscamos
também a instabilidade. Procuramos e alimentamos conflitos. Isso provavelmente
para na solução dos problemas conquistarmos a “vitória” da resolução. O gozo
pela satisfação do feito, pela construção do ponto final dos problemas para
ingressar em um novo capítulo de vida. Um estímulo para modificar algo que nos
desagrada.
Se a estabilidade se
instalasse de maneira constante, sedentos pela instabilidade estaríamos e
vice-versa. Assim
com se fôssemos encapsulados por uma felicidade constante, de uma tristeza
repentina sentiríamos falta. Somos repletos pela necessidade de situações inusitadas
e novas em nossas vidas.
Somos constituídos
pelas variadas situações e pela mistura das sensações e emoções. Dos erros nos
alimentamos. Crescemos ao superar nossas frustrações a cada resolução das
dificuldades impostas ou construídas por nós ou para nós.
Concluindo, é
importante estarmos atentos às nossas ações e aos impactos das ações das pessoas
que nos cercam em nosso sentimento. Isso auxiliará a descoberta e compreensão
de nosso íntimo, nos tornando mais aptos e mais lúcidos no entendimento de
nossas reações frente às adversidades. E a partir disto compreender que por
mais difícil que seja a adversidade que nos acometa temos força para superá-la,
mesmo que em algum momento nos sintamos incapazes, indefesos ou inseguros.
E sendo assim,
conscientes de nosso íntimo, do entendimento de nossos sentimentos e da
possibilidade de ressignificação de nossas ações, podemos buscar com mais
clareza e acertividade as pequenas felicidades em cada momento de vida. E delas
usufruir com clareza, leveza e sem receios de sua inevitável finitude e
renovação.
Alexandre Fritzen da
Rocha
(Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2014)