segunda-feira, 16 de março de 2015

Cheiro

Sinto cheiro de golpe!
Sinto cheiro de merda!!!
Quando a ignorância é gigante ela cheira mal...
Pedem o impeachment da presidente...
Quem assumiria? Michel Temer, do PMDB, aquele partido de Renan Calheiros (presidente do senado) e Eduardo Cunha (presidente da câmara), ambos suspeitos de inúmeros processos de corrupção.
Reclamam, então, que querem Aécio Neves no poder. Aquele que recentemente teve processo arquivado, o dono de um helicóptero cheio de cocaína, o construtor dos “aeroporto Neves”... Além disso, acusam a presidente de ser comunista, mas o vice de Aécio na eleição, o Sr. Aloysio Nunes, era membro do PCB – Partido Comunista Brasileiro. Ups! E lutou ao lado de José Dirceu. Plim!
Gritam, então, por golpe militar para combater a corrupção, mas não observam que o partido governista na época dos milicos era a ARENA, partido que originou o PP – Partido Progressista, aquele que tem mais de 30 envolvidos no escândalo da Petrobrás.
Não lembram que na ditadura brasileira aconteceu assassinato de criança, de grávidas, torturas de bebês, prisão de estudantes e professores, fomento do crime organizado e poder paralelo, estímulo ao tráfico de drogas, enfraquecimento da economia, aumento da dívida externa, a prática de elitizar o ensino, racismo, homofobia, estupro, pena de morte, trabalho escravo e a castração da produção cultural. Até assédio sexual a freiras aconteceu. É isso que o Brasil quer?
O executivo federal e a presidente da república são conservadores e ineficientes sim, mas o cerne da podridão está no legislativo. E a corrupção está na sociedade, seja nos que se beneficiam sem necessidade de programas assistencialistas, ou naqueles que sonegam impostos, ou qualquer outra forma de auto-benefício em detrimento do outro. Aqueles lá de cima que roubam não são piores que estes...
Então, se há vontade de mudança, a primeira atitude é olhar para o próprio rabo. E depois de limpá-lo evitar a ignorância, a imbecilidade e o mau-caráter, parando de defender, em primeiro lugar, um dos piores períodos que nosso país teve...
Fica a dica!

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 12 de março de 2015)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Primeiro pronunciamento

Fui surpreendido pela primeira medida anunciada para a nova gestão do executivo federal. Nossa atual e futura presidente retomou o assunto falado em pronunciamento no ano passado ao longo das manifestações. Propor uma reforma política através de Plebiscito. Sinceramente eu não esperava viver isso no Brasil. Boa surpresa, pois imaginava ver mais do mesmo em seu novo mandato.
As repercussões no meio político foram interessantes. Um certo descontentamento de Álvaro Dias, que talvez sinta o perigo de delegar as decisões à população, diminuindo assim o poder de controle por parte dos políticos. Observei também um certo ceticismo do Ministro do Supremo Marco Aurélio, o primo do Collor, que parece não ter gostado desta abertura à democracia participativa. O PMDB de Renan Calheiros, o mesmo da base do governo, que está do lado do PT há 12 anos, e do lado de todos os presidentes da república há 24 anos, ficou em cima do muro...
Surpreendido positivamente em âmbito federal.
Agora é tua vez de me surpreender, Sartori.

Na torcida por governos executivos estaduais e federais mais coerentes, democráticos e íntegros, porque vai ser barra lidar com este novo legislativo durante os próximos quatro anos!

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 28 de outubro de 2014)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Horário político

Acabei de ver o horário político!!!
Ri muito!
O bacanal das legendas, as maquiagens dos atores (ou candidatos) e o sensacionalismo típico dos enredos daquelas novelinhas da tarde, com uma trilha sonora bem característica.
Falavam os candidatos a fantoche estadual e federal, a ala mais tosca da política brasileira, depois da vereança, é claro!
Senti falta dos jingles. Hoje tivemos poucos.
O circo fica bem mais divertido com música.
Música de bordel cairia bem, aliás...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de agosto de 2014)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Campanha eleitoral nas redes sociais


Gostaria de ler postagens lúcidas acerca dos candidatos. Como ficaria feliz se meus conhecidos e demais eleitores atentassem às histórias políticas e às legendas dos partidos que estão disputando as eleições.
Estou presenciando paixões políticas inúteis. Mentiras absurdas. Erros grosseiros de interpretações de acontecimentos recentes e passados. Falta de respeito com pessoas, projetos, ações. Uma burrice política. Uma cegueira sociológica. Uma inanição filosófica.
Antes de postar qualquer coisa ou falar montes de asneiras pesquisem as informações por diversas fontes. Leiam a história por vários lados. E não entupam redes sociais com um monte de merda desnecessária e mentirosa.
Estou bem cansado de ver várias pessoas postarem um monte de esterco midiático.
A informação é gratuita. Não deixem a preguiça imperar e respeitem as pessoas, porque é degradante ver a proliferação da mentira, da ignorância e da estupidez.
Divulgar a mentira é um ato de corrupção!

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de julho de 2014)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Fronteira

Os pensamentos e as coisas serão sempre maiores que a área que delineamos para eles. E esta ilusória fronteira não é e jamais será intransponível. Ela é uma criação, uma escolha, uma imposição. Uma opção talvez mais confortável para tentarmos compreender nossas existência e ações, construindo um cerco para o desconhecido, um bloqueio do medo e, às vezes, uma barra de contenção para a manutenção da sanidade. Um perímetro seguro para o convívio social, que nos protege e aprisiona ao mesmo tempo. Em alguns desperta-se uma curiosidade transpor esta fronteira, noutros não.
Todavia, penso que devemos respeitar nossas fronteiras, nossos limites, para lucidamente transpô-los com consciência, sabedoria e parcimônia.


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de junho de 2014)

domingo, 1 de junho de 2014

Divagando sobre a felicidade

A felicidade de forma constante não existe. Não há como estar feliz a todo o momento. Vivemos momentos alegres e tristes, equilibrando nossas emoções e buscando um bem-estar. Ela é atingida, conquistada e ofertada. Sedentos dela vivemos. E na sua busca por vezes caímos na armadilha de pensar que ela deva pertencer à nossa vida em todo o momento. Que ela viverá conosco eternamente. Por certo a buscamos, visto que a tristeza, a angústia e os sentimentos melancólicos nos corroem e por vezes deturpam nossas ações. Alimentamos-nos pelos momentos mais felizes de nossa vida, e buscamos uma constância deles. Um resgate daquilo que foi bom, tentando construir uma réplica do passado. Busca em vão, visto que o passado é imutável e impossível de ser repetido. Ele apenas pode ser ressignificado. E a ressignificação é um dos melhores trunfos, tanto em relação aos momentos bons quanto aos ruins. Caso contrário, corremos o risco de viver num ilusório mundo nostálgico do que já passou e do que poderia ter sido.
Por outro lado, também buscamos conflitos, criamos armadilhas, construímos obstáculos. Em suma, buscamos também a instabilidade. Procuramos e alimentamos conflitos. Isso provavelmente para na solução dos problemas conquistarmos a “vitória” da resolução. O gozo pela satisfação do feito, pela construção do ponto final dos problemas para ingressar em um novo capítulo de vida. Um estímulo para modificar algo que nos desagrada.
Se a estabilidade se instalasse de maneira constante, sedentos pela instabilidade estaríamos e vice-versa. Assim com se fôssemos encapsulados por uma felicidade constante, de uma tristeza repentina sentiríamos falta. Somos repletos pela necessidade de situações inusitadas e novas em nossas vidas.
Somos constituídos pelas variadas situações e pela mistura das sensações e emoções. Dos erros nos alimentamos. Crescemos ao superar nossas frustrações a cada resolução das dificuldades impostas ou construídas por nós ou para nós.

Concluindo, é importante estarmos atentos às nossas ações e aos impactos das ações das pessoas que nos cercam em nosso sentimento. Isso auxiliará a descoberta e compreensão de nosso íntimo, nos tornando mais aptos e mais lúcidos no entendimento de nossas reações frente às adversidades. E a partir disto compreender que por mais difícil que seja a adversidade que nos acometa temos força para superá-la, mesmo que em algum momento nos sintamos incapazes, indefesos ou inseguros.
E sendo assim, conscientes de nosso íntimo, do entendimento de nossos sentimentos e da possibilidade de ressignificação de nossas ações, podemos buscar com mais clareza e acertividade as pequenas felicidades em cada momento de vida. E delas usufruir com clareza, leveza e sem receios de sua inevitável finitude e renovação.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Senhores 65%

Fui informado que realizaram uma pesquisa no Brasil onde constatou-se que cerca de 65% dos homens consideram que mulheres que usam roupas curtas merecem ser “atacadas”. Abismado com a informação resolvi investigar a veracidade da chocante informação em diversos sites de notícia na internet. De fato a pesquisa, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), parece ser verossímil. Os pesquisadores informaram que alguns pesquisados consideram que o uso de roupas “provocantes” instiga o ato de estupro, ou que se as mulheres se comportassem de forma diferente o número de estupros seria reduzido.
Penso que o título destas notícias poderia ser diferente: “65% dos homens brasileiros retomam comportamentos primatas. Quando vêm uma fêmea com roupa curta, por descontrole, precisam exercer relação sexual forçada, visto que o ato de procriar é mais forte que sua razão”. Ou ainda, “65% dos homens apresentam comportamento doentio e irracional, e não se dão conta de sua perturbação psicológica, culpando suas vítimas por seus atos criminosos”.
Interessante pensar que estes 65% foram paridos e criados por uma fêmea. Muitos possivelmente tenham irmãs, filhas, primas, tias, amigas. O mesmo gênero humano que eles referiram ter obrigação de agir de um modo específico. E que modo específico seria esse? Existe alguma cartilha para o comportamento “adequado” da mulher na sociedade? Ou um manual: “Fêmea, como você deve se portar diante de um macho”. E se as suas filhas, Senhores 65%, estivessem usando roupas curtas e por conta disso fossem violentadas, quais seriam o seus discursos? Ou se elas sofressem estupros coletivos por terem efetuado este suposto comportamento “inadequado”. Qual seriam as reações dos senhores?
Para mim é muito triste ouvir este tipo de notícia em pleno século XXI. Justificar uma violência culpando a vítima. Constato que nossa sociedade está doente. Está raquítica de razão e de gentileza. É aculturada e burra. Influenciável e violenta. E violentada... E as manifestações de 2013? Acabaram? Aquele circo todo foi desmontado? Voltamos a inanição.
Ainda vivemos em um país com um sistema que oprime a mulher. E embora existam inúmeros discursos pró equiparação de direitos de gênero, uma pesquisa dessas demonstra que se faz necessário uma urgente conscientização e educação sexual e sociológica em nossa nação. Uma ampliação dos estudos históricos, com foco no século XX, momento onde a mulher passou a “existir” em âmbito social. Um estudo um pouco mais laico, talvez. E um plenário um pouco mais laico também, e menos criminoso, mas isso é outro assunto, embora muito próximo deste. Acredito que se promovêssemos uma educação focada nos quatro pilares da UNESCO (Aprender a conhecer, Aprender a fazer, APRENDER A VIVER COM OS OUTROS, Aprender a ser) já estaríamos um pouco mais longe da era primata.
Mas enquanto isso, minhas amigas, sugiro que para viverem seguras nesta selva tupiniquim utilizem ferramentas tipo a “Rapex”, aquela camisinha antiestupro inventada pela sulafricana Sonette Ehslers. Eu ficaria particularmente interessado em ler sobre uma pesquisa que informasse que 90% dos estupradores tiveram seu pênis destruído pela ferramenta de Ehslers.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 30 de março de 2014)