quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Primeiro pronunciamento

Fui surpreendido pela primeira medida anunciada para a nova gestão do executivo federal. Nossa atual e futura presidente retomou o assunto falado em pronunciamento no ano passado ao longo das manifestações. Propor uma reforma política através de Plebiscito. Sinceramente eu não esperava viver isso no Brasil. Boa surpresa, pois imaginava ver mais do mesmo em seu novo mandato.
As repercussões no meio político foram interessantes. Um certo descontentamento de Álvaro Dias, que talvez sinta o perigo de delegar as decisões à população, diminuindo assim o poder de controle por parte dos políticos. Observei também um certo ceticismo do Ministro do Supremo Marco Aurélio, o primo do Collor, que parece não ter gostado desta abertura à democracia participativa. O PMDB de Renan Calheiros, o mesmo da base do governo, que está do lado do PT há 12 anos, e do lado de todos os presidentes da república há 24 anos, ficou em cima do muro...
Surpreendido positivamente em âmbito federal.
Agora é tua vez de me surpreender, Sartori.

Na torcida por governos executivos estaduais e federais mais coerentes, democráticos e íntegros, porque vai ser barra lidar com este novo legislativo durante os próximos quatro anos!

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 28 de outubro de 2014)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Horário político

Acabei de ver o horário político!!!
Ri muito!
O bacanal das legendas, as maquiagens dos atores (ou candidatos) e o sensacionalismo típico dos enredos daquelas novelinhas da tarde, com uma trilha sonora bem característica.
Falavam os candidatos a fantoche estadual e federal, a ala mais tosca da política brasileira, depois da vereança, é claro!
Senti falta dos jingles. Hoje tivemos poucos.
O circo fica bem mais divertido com música.
Música de bordel cairia bem, aliás...


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 19 de agosto de 2014)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Campanha eleitoral nas redes sociais


Gostaria de ler postagens lúcidas acerca dos candidatos. Como ficaria feliz se meus conhecidos e demais eleitores atentassem às histórias políticas e às legendas dos partidos que estão disputando as eleições.
Estou presenciando paixões políticas inúteis. Mentiras absurdas. Erros grosseiros de interpretações de acontecimentos recentes e passados. Falta de respeito com pessoas, projetos, ações. Uma burrice política. Uma cegueira sociológica. Uma inanição filosófica.
Antes de postar qualquer coisa ou falar montes de asneiras pesquisem as informações por diversas fontes. Leiam a história por vários lados. E não entupam redes sociais com um monte de merda desnecessária e mentirosa.
Estou bem cansado de ver várias pessoas postarem um monte de esterco midiático.
A informação é gratuita. Não deixem a preguiça imperar e respeitem as pessoas, porque é degradante ver a proliferação da mentira, da ignorância e da estupidez.
Divulgar a mentira é um ato de corrupção!

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 21 de julho de 2014)

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Fronteira

Os pensamentos e as coisas serão sempre maiores que a área que delineamos para eles. E esta ilusória fronteira não é e jamais será intransponível. Ela é uma criação, uma escolha, uma imposição. Uma opção talvez mais confortável para tentarmos compreender nossas existência e ações, construindo um cerco para o desconhecido, um bloqueio do medo e, às vezes, uma barra de contenção para a manutenção da sanidade. Um perímetro seguro para o convívio social, que nos protege e aprisiona ao mesmo tempo. Em alguns desperta-se uma curiosidade transpor esta fronteira, noutros não.
Todavia, penso que devemos respeitar nossas fronteiras, nossos limites, para lucidamente transpô-los com consciência, sabedoria e parcimônia.


Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 30 de junho de 2014)

domingo, 1 de junho de 2014

Divagando sobre a felicidade

A felicidade de forma constante não existe. Não há como estar feliz a todo o momento. Vivemos momentos alegres e tristes, equilibrando nossas emoções e buscando um bem-estar. Ela é atingida, conquistada e ofertada. Sedentos dela vivemos. E na sua busca por vezes caímos na armadilha de pensar que ela deva pertencer à nossa vida em todo o momento. Que ela viverá conosco eternamente. Por certo a buscamos, visto que a tristeza, a angústia e os sentimentos melancólicos nos corroem e por vezes deturpam nossas ações. Alimentamos-nos pelos momentos mais felizes de nossa vida, e buscamos uma constância deles. Um resgate daquilo que foi bom, tentando construir uma réplica do passado. Busca em vão, visto que o passado é imutável e impossível de ser repetido. Ele apenas pode ser ressignificado. E a ressignificação é um dos melhores trunfos, tanto em relação aos momentos bons quanto aos ruins. Caso contrário, corremos o risco de viver num ilusório mundo nostálgico do que já passou e do que poderia ter sido.
Por outro lado, também buscamos conflitos, criamos armadilhas, construímos obstáculos. Em suma, buscamos também a instabilidade. Procuramos e alimentamos conflitos. Isso provavelmente para na solução dos problemas conquistarmos a “vitória” da resolução. O gozo pela satisfação do feito, pela construção do ponto final dos problemas para ingressar em um novo capítulo de vida. Um estímulo para modificar algo que nos desagrada.
Se a estabilidade se instalasse de maneira constante, sedentos pela instabilidade estaríamos e vice-versa. Assim com se fôssemos encapsulados por uma felicidade constante, de uma tristeza repentina sentiríamos falta. Somos repletos pela necessidade de situações inusitadas e novas em nossas vidas.
Somos constituídos pelas variadas situações e pela mistura das sensações e emoções. Dos erros nos alimentamos. Crescemos ao superar nossas frustrações a cada resolução das dificuldades impostas ou construídas por nós ou para nós.

Concluindo, é importante estarmos atentos às nossas ações e aos impactos das ações das pessoas que nos cercam em nosso sentimento. Isso auxiliará a descoberta e compreensão de nosso íntimo, nos tornando mais aptos e mais lúcidos no entendimento de nossas reações frente às adversidades. E a partir disto compreender que por mais difícil que seja a adversidade que nos acometa temos força para superá-la, mesmo que em algum momento nos sintamos incapazes, indefesos ou inseguros.
E sendo assim, conscientes de nosso íntimo, do entendimento de nossos sentimentos e da possibilidade de ressignificação de nossas ações, podemos buscar com mais clareza e acertividade as pequenas felicidades em cada momento de vida. E delas usufruir com clareza, leveza e sem receios de sua inevitável finitude e renovação.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2014)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Senhores 65%

Fui informado que realizaram uma pesquisa no Brasil onde constatou-se que cerca de 65% dos homens consideram que mulheres que usam roupas curtas merecem ser “atacadas”. Abismado com a informação resolvi investigar a veracidade da chocante informação em diversos sites de notícia na internet. De fato a pesquisa, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), parece ser verossímil. Os pesquisadores informaram que alguns pesquisados consideram que o uso de roupas “provocantes” instiga o ato de estupro, ou que se as mulheres se comportassem de forma diferente o número de estupros seria reduzido.
Penso que o título destas notícias poderia ser diferente: “65% dos homens brasileiros retomam comportamentos primatas. Quando vêm uma fêmea com roupa curta, por descontrole, precisam exercer relação sexual forçada, visto que o ato de procriar é mais forte que sua razão”. Ou ainda, “65% dos homens apresentam comportamento doentio e irracional, e não se dão conta de sua perturbação psicológica, culpando suas vítimas por seus atos criminosos”.
Interessante pensar que estes 65% foram paridos e criados por uma fêmea. Muitos possivelmente tenham irmãs, filhas, primas, tias, amigas. O mesmo gênero humano que eles referiram ter obrigação de agir de um modo específico. E que modo específico seria esse? Existe alguma cartilha para o comportamento “adequado” da mulher na sociedade? Ou um manual: “Fêmea, como você deve se portar diante de um macho”. E se as suas filhas, Senhores 65%, estivessem usando roupas curtas e por conta disso fossem violentadas, quais seriam o seus discursos? Ou se elas sofressem estupros coletivos por terem efetuado este suposto comportamento “inadequado”. Qual seriam as reações dos senhores?
Para mim é muito triste ouvir este tipo de notícia em pleno século XXI. Justificar uma violência culpando a vítima. Constato que nossa sociedade está doente. Está raquítica de razão e de gentileza. É aculturada e burra. Influenciável e violenta. E violentada... E as manifestações de 2013? Acabaram? Aquele circo todo foi desmontado? Voltamos a inanição.
Ainda vivemos em um país com um sistema que oprime a mulher. E embora existam inúmeros discursos pró equiparação de direitos de gênero, uma pesquisa dessas demonstra que se faz necessário uma urgente conscientização e educação sexual e sociológica em nossa nação. Uma ampliação dos estudos históricos, com foco no século XX, momento onde a mulher passou a “existir” em âmbito social. Um estudo um pouco mais laico, talvez. E um plenário um pouco mais laico também, e menos criminoso, mas isso é outro assunto, embora muito próximo deste. Acredito que se promovêssemos uma educação focada nos quatro pilares da UNESCO (Aprender a conhecer, Aprender a fazer, APRENDER A VIVER COM OS OUTROS, Aprender a ser) já estaríamos um pouco mais longe da era primata.
Mas enquanto isso, minhas amigas, sugiro que para viverem seguras nesta selva tupiniquim utilizem ferramentas tipo a “Rapex”, aquela camisinha antiestupro inventada pela sulafricana Sonette Ehslers. Eu ficaria particularmente interessado em ler sobre uma pesquisa que informasse que 90% dos estupradores tiveram seu pênis destruído pela ferramenta de Ehslers.

Alexandre Fritzen da Rocha
(Nova Petrópolis, 30 de março de 2014)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Sobre as manifestações de 2013

Aqui expresso minhas impressões sobre os acontecimentos recentes no país. Não escrevo um manifesto, apenas um discurso retórico e, por vezes, metafórico para “soltar” as coisas que penso e que estão presas em mim. Críticas, vaias, xingamentos serão bem-vindos.
Me sinto contente por viver um momento de mobilização social, por mais que acredite que há muitas confusões de objetivos, princípios e coerência em muitas pessoas que estão nas ruas.
De fato é um absurdo o valor da passagem de ônibus, principalmente pelas condições em que somos submetidos nestes transportes em horários de pico. Além disso, o sistema viário das principais cidades brasileiras está caótico e os deslocamentos estão cada vez mais demorados. Ademais, a quantidade de carros aumenta consideravelmente pois o sistema econômico nos empurra para a compra destas máquinas. Com isso as pessoas andam cada vez mais de carro, pois não há uma consciência ecológica social. Como somos regidos pelo sistema consumista, é mais barato andar de carro do que de ônibus em alguns trajetos. É lamentável não desenvolvermos um sistema metroviário eficiente. Seria a solução para muita coisa.
E falando em ecologia, me parece muito mais urgente gritar e manifestar-se contra o corte das árvores do que os 20 centavos do ônibus. Mas uma coisa não exclui a outra, embora o “papel dinheiro” seja algo simbólico e a vegetação algo real e de fato indispensável.
Vivemos em um sistema econômico que tende a alienar e controlar a população. Não há nos bancos o “papel dinheiro” respectivo à receita financeira que é declarada. Ou seja, se todos tirassem dinheiro dos bancos eles quebrariam. Além disso, nosso sistema econômico é baseado na dívida. Então se cria uma sociedade que pensa no “papel dinheiro” e se esquece do recurso. O recurso é o que faz com que vivamos. Não comemos, bebemos ou respiramos dinheiro...
Nessas manifestações ouvi várias críticas sobre o sistema consumista. Que bom! Mas uma minoria confusa resolveu depredar ônibus e destruir lixeiras... Na minha opinião quebrar um ônibus público é como brigar com um familiar e quebrar uma vidraça da sua casa. Terei que comprar uma vidraça nova e isso alimentará o sistema consumista. Mas isso foi algo bem pontual e um detalhe das manifestações agigantado pela mídia. Só que ouvi muitas críticas à mídia. A mídia se sustenta pela audiência. Se a audiência é grande terá patrocínio. Ela busca audiência. Se há um descontentamento com o “comportamento” da mídia, porque se continua a “consumi-la”? Critica-se a Rede Bola, mas ela não é abandonada, principalmente quando há um jogo da Seleção. Opa, mas se critica a copa no Brasil... E se vaia a presidente dentro do estádio e antes do jogo... Há vários gritos de “não queremos copa no Brasil” dentro dos estádios... Hum... Achei também tão triste grande parte da população ansiosa para ouvir o pronunciamento da presidente na Rede Bola. Ouvi esperanças por coisas absurdas, como pessoas que esperavam que ela interferisse nos outros dois poderes. E essa história de impeachment... A chama é melhor que a estrela? Trocar a presidente eleita democraticamente pelo vice, do mesmo partido do senhor tão criticado Presidente do Senado? Acho que a falta de estudo político no ensino de base no Brasil está bem evidente agora. E as críticas ao Sr. Prefeito, reeleito por mais de 65% das pessoas em Porto Alegre... Será que ninguém destes 65% está nas ruas? E onde estavam seus pensamentos e investigações políticas em outubro do ano passado? Além disso, confusões como culpar presidente por aumentar passagem municipal, culpar prefeito pela ação da Polícia Militar (do estado)... Pode ser estrela, chama, passarinho, sol, todos são eleitos democraticamente e vivemos em um estado de suposta democracia. Esse papo de impeachment me parece um jogo discreto destes P...s. Um duelo de passarinho contra estrela, talvez...
Fora isso, ouço críticas tão duras para as bolsas de auxílio às classes baixas da sociedade brasileira, mas quase nunca ouço indignações para os auxílios milionários oferecidos aos “grandes” empresários brasileiros. Equiparar a economia é reforçar ela... Acabar com a miséria é oportunizar de forma discreta um crescimento econômico social. Dentro deste sistema econômico mundial que vivemos, esta é a ação mais adequada, penso...
Acredito que a mudança ou revolução que tanto se fala deve vir de dentro. Não deve ser apenas pontual ou local. São constantes as críticas contra a corrupção política, mas há de se combater primeiro as corrupções pessoais, e estas são diversas. Os pequenos crimes cometidos, as pequenas falhas de caráter e traições, o constante descuido com o meio ambiente... Os jeitinhos e “mutretas” das pessoas... Além disso, acredito ser importante observar o que se veste, o que se come, o que se bebe, além das drogas usadas. Conheço a indústria têxtil e sei que há bastante exploração na produção de muitas peças “de marca”. Isso ocorre com os calçados também... Fora os produtos que vêm de outros países, principalmente as potências canhoto-demagogas... E nossa comida vem de onde? Há sofrimento e exploração de algum ser na “confecção” de nossos bonitos pratos? E como está a agricultura no nosso país? Além disso, o que andamos bebendo? Estranho, o Ministério da Saúde não adverte sobre o uso de algumas substâncias presentes em certas bebidas... E aos que usam drogas “ilícitas”, é interessante se perguntar de onde está vindo este produto. Há sofrimento, injustiça, violência antes deste produto chegar nas mãos de quem o usa? Ainda, como está a “alimentação” cultural de cada um? Quantos livros lemos, em quantas exposições vamos, quantos concertos presenciamos, quantos filmes e peças de teatro assistimos? E não só quantos, mais quais... Qual a importância da cultura e da reflexão em nossas vidas? Estamos vivendo uma “anemia” cultural...
Falemos mais da PEC 37, da legalização ou não do aborto, da legalização ou não de drogas, de leis de preservação do meio-ambiente, da não interferência das religiões nas decisões de nosso país laico, da tolerância zero contra todos os preconceitos, da reforma do sistema prisional, da valorização da saúde pública, cultura e educação do país. Além disso, acabar com a impunidade contra as corrupções políticas e de funcionários públicos.
Observemos a hermenêutica dos textos e falas que nos cercam, reflitamos sobre nosso conhecimento tácito e agreguemos novos conhecimentos sempre.
Por fim, eu grito nas ruas, mas depois vou para casa e grito na frente do espelho. Minha manifestação é constante e autorreflexiva. E espero que nunca seja momentânea.

Alexandre Fritzen da Rocha

(Porto Alegre, 22 de junho de 2013)